Por ser negra, a vice-presidente da Câmara dos Vereadores de Teresina, Rosário Bezerra (PT), foi discriminada na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), durante a cerimônia de entrega, pelo parlamento, do título de cidadão teresinense ao advogado Pedro Ayremoraes Soares, na sede da entidade representativa dos advogados, reconhecida por sua luta pelos direitos civis. Rosário Bezerra disse que a Câmara de Vereadores na sede da OAB porque Pedro Airemoraes é um conhecido jurista e reconhecido pelo desempenho na defesa das prerrogativas dos advogados. Ela disse que quando chegou na sede da OAB para a sessão da entrega do título de cidadão teresinense, uma pessoa da recepção perguntou para onde iria. Rosário Bezerra disse que estava ainda para a solenidade de entrega do título de cidadania, então ele disse: “é por ali”, que era justamente o local oposto da sessão legislativa especial. Como viu que tinha um auditório, Rosário Bezerra foi para o local indicado pelo homem da recepção da OAB porque tinha visto um auditório, mas quando chegou lá percebeu que tinha apenas mesas que estavam sendo preparadas para o coquetel a ser oferecido após a cerimônia. Quando chegou na porta do local, o homem da recepção da OAB disse que tinha se enganado e que a cerimônia seria realizada no outro lado, onde fica o auditório novo. “Eu não conhecia a senhora. A solenidade não é aqui é ali no outro auditório, é no novo”, falou o homem da recepção. Rosário Bezerra perguntou ao homem porque ele tinha indicado que ela fosse para onde estavam as mesas de salgadinho do coquetel por achar que iria trabalhar como serviçal. “Ele pediu mil desculpas, disse que não tinha me reconhecido. “A senhora é vereadora”, declarou o homem da recepção da OAB. “Será que o senhor só por ver uma pessoa negra já vai pensando que é serviçal? Eu estava tão bem vestida. Uma mulher do cerimonial veio e me pediu desculpa. “Eu já reagi”, falou Rosário Bezerra.
No dia seguinte, o secretário-geral e presidente eleito da OAB do Piauí, Sigifrói Moreno, tomou conhecimento do fato e pediu desculpas a Rosário Bezerra. Ele perguntou o que a OAB poderia fazer sobre a questão. Rosário Bezerra disse para Sigifrói Moreno que aceita as suas desculpas, mas quando ele for presidente promova um dia de discussão com os funcionários e recepcionistas para que tratem as pessoas sem discriminação. “Geralmente, as pessoas discriminam as pessoas por sua orientação sexual, as pessoas negra, as pessoas com deficiência. Eu gostaria que seu primeiro ato fosse esse de fazer um treinamento com seus funcionários para que isso não ocorra”, falou Bezerra para Sigifrói Moreno. O homem ficou pedindo desculpas e depois o Cerimonial da OAB chegou a dizer que ele não trabalhava no setor. Rosário Bezerra já tinha sido discriminada em sua própria por dois empregados de uma loja que tinham ido levar roupas para seu marido, o secretário estadual de Fazenda, Antônio Neto, escolher.
“Quando cheguei, eu disse “boa noite” e os funcionários olharam para mim e disseram você mora aqui. Eu subi a escada e voltei. Falei: “olha, vocês não estão vendo o que está acontecendo no mundo, gente. O presidente da República dos Estados é Barack Obama, que é negro. Sou vereadora, moro aqui. As pessoas não acreditam que as pessoas negras estejam ali, acham que devem ser serviçais. Quando eu cheguei em minha casa estava dirigindo um carro, mas as pessoas não associam os negros com cidadãos bem sucedidos”, falou Rosário Bezerra. Ela, porém, casou da discriminação e da próxima vez vai denunciar à Delegacia de Polícia. “Eu tenho sido tolerante, mas estou me cansando”, falou Rosário Bezerra, que é economista e mestra em Educação pela Universidade Federal do Piauí.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário